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quarta-feira, 18 de junho de 2014

70 anos Paratodos


70 anos Paratodos

                                Paulinho Veloso


O meu não era paulista
Nem avós , nem  o deles
nada tiveram do chão do Norte
Eles vieram , eu vim
de Holanda, de Uganda, de Angola,
vim com sorte.



Vivi e vi (venci)
Mulheres belas
outras inventadas, no toque
do fino gosto
da lábia, das boas palavras.
Pau que bate em Chico
bate também em quem viveu
e não precisou pagar.




O prazer da descoberta
dos enigmas, das metas
dos nunca aforismos
nem das palavras sempre benditas,
bem ditas ...

Do rio novo, do tom novo
das novidades, dos pares parceiros
dos pais, irmãs , cunhados e genros
da luta não vencida e ainda esperada
dos 70 anos que foram ontem
da obra inimaginável
em um país (ainda )
dos sonhos.

( Como a obra humana,
digna de ser chamada obra,
memorável, celebrável, cerebral,
nos faz sentir a presença de Deus
no talento cordial dos seus filhos ! )

________________________________________________
Esta vai ao Chico Buarque.
Homenagem mesmo é rememorar
a receita (não escondida) do seu gênio.

(Com reverência) :
Canta, Chico !!!





                         Paratodos
                                                              Chico Buarque

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro
Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas
Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto
Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethania, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro

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