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sábado, 9 de junho de 2012

Simplesmente Perfeito (Estado de Minas de hoje)

Agorinha me deparei com um artigo do Estado de Minas de hoje. É que estão lançando um livro "diferente" sobre a obra de João Gilberto.

O modo de ser ,e cantar,  e tocar, do João é mais que um estilo musical. Pode ser encarado como um estilo de vida. O ser contido , onde o menos é mais, faz com que a tamanha simplicidade beire a perfeição.

Realmente, a música de João Gilberto é uma música de câmara. É para quem curte música. É para quem gosta de escutar boa música. Em silêncio... inclusive na alma.

Os bons da MPB tem João como o guru. Os brasileiros pouco o conhecem. Os jazzistas e analistas estrangeiros o consideram gênio.

João Gilberto é o cara aos 81 anos de idade e 60 de carreira.

Pena que os livros no Brasil são caros. (Os incentivos deveriam sair um pouco dos carros e ir para a alimentação _ cultural e propriamente dita_ e para os remédios. A gente tá cheio de carros nas ruas . A gente tem fome !!!). Mas é um livro que vale a pena como valeu o Chega de Saudade de Ruy Castro.

Agora silêncio, que o João vai cantar.









João Gilberto
Organização de Walter Garcia
Editora Cosac Naify, 512 páginas, R$ 215

Como obra de referência, João Gilberto traz ainda cronologia da vida e obra do cantor, discografia e bibliografia selecionada.

Isto é João Gilberto
Trechos do livro


“Aproximar-se dele é uma proeza, mesmo para seus íntimos. Capaz de entreter seus interlocutores durante horas ao telefone, de provocar admirações excessivas com suas canções sussurradas e conversas fascinantes sob a proteção do telefone, o intérprete mais procurado do Brasil ama os outros de longe e os detesta de perto, pela complacência deles diante da imperfeição, pela indiferença que demonstram diante do valor infinito do trabalho. Com João Gilberto, o exercício da entrevista, repleto de armadilhas, tem a ver com a história do gato escaldado. Cada pergunta atrai o seu duplo invertido.”
Entrevista de Véronique Moertaigne, Le Monde, 25/5/91

“Apenas a voz e o violão de João Gilberto já são a quintessência de sua própria orquestra. Para mim ele está no nível mais alto da música de câmara clássica, mas com uma paixão muito mais vívida. Acho que a música e a comunicação fluem acima do nível do significado direto das palavras, e é por isso que, nas canções do João Gilberto, o impacto das palavras acaba um pouco eclipsado pela beleza da música que sustenta a letra. E, de fato, no caso desse artista, o som da língua portuguesa jamais poderia ser substituído por outra língua.”
Chick Corea, pianista e compositor

“Ha algum tempo escrevi que talvez João Gilberto fosse o cara mais cool sobre a face da Terra. Pois eu continuo pensando do mesmo jeito, e acho que ele é um cantor de um talento incomparável. Ou melhor, se fosse compará-lo com outro cantor americano, acho que o único que estaria à altura de João Gilberto seria Frank Sinatra. Mas, ainda assim, acho que João Gilberto é maior porque todo o estilo musical, a bossa nova, foi criado em torno dele.”
Jon Pareles, crítico de música do The New York Times

“João Gilberto e Guimarães Rosa compartilharam o mesmo tempo da obra. Ambos expuseram as principais diretrizes de seus projetos de linguagem – além de apresentarem o essencial de sua produção – em consonância com um mesmo mundo intelectual e político. Diante desse mundo, construíram projetos de linguagem que, num sentido muito preciso, ainda hoje funcionam como uma forma de ação – um ato de fala – que cada um deles produziu para reagir a fatos presentes ou criar futuros.”
Helóisa Maria Murgel Starling, professora da UFMG

“O violão brasileiro não se prestava a esse tipo de coisa como o João faz hoje. Ele tinha somente duas funções: ou era solo, com aquele repertório tradicional, ou então fazia parte da formação dos conjuntos regionais. Cavaquinho no agudo, o bandolim, o violão de sete cordas, pandeiro. Sabe o que o João fez? Subtraiu na formação do regional. Retirou os agudos do cavaquinho e do bandolim. Retirou o pandeiro. E retirou o violão de sete cordas. Com todas essas subtrações ele teve que redimensionar o violão inteiro, senão seria só prejuízo, perda.”
Aderbal Duarte, violonista e compositor

Obrigado pela visita !!!

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