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sexta-feira, 29 de junho de 2012

São Pedro e São Paulo

Fazendo minha Lectio Divina me deparei com o dia 29 de junho: São Pedro e São Paulo. Estes aí merecem que eu escreva a minha experiência com a vida deles. Vamos lá !!!

Pedro, me identifico muitas vezes, cabeça dura. Sabe aqueles caras que perdem sempre a oportunidade de ficar quieto. Não tem jeito, dou risadas quando leio ou vejo em filmes os foras que ele dava. É porque me identifico... Alguém certa vez disse dos dois traidores de Jesus e das suas diferenças. Judas, o mais famoso, não confiou na misericórdia de Deus. Pedro, chorando com as vísceras, viu a burrada que fizera, mas conhecia bem o Mestre e  se abrigou (palavra bonita) na sua bondade. Afinal, havia convivido com aquele que conhecia os corações e suas fraquezas. Meu amigo, Gustavo, da Tida, não é lá assim muito afeito às coisas de religião, mas a figura de Pedro, no filme de Zeffirelli, o cativou. E, no final da história, o casca dura é convidado pelo Próprio para tomar conta da Instituição. Até para que percebamos como o Espírito de Deus capacita as pessoas...

Paulo, meu xará. Dizem que o nome significa o pequeno, o menor. É aquele que caiu do cavalo. A cabeça do cara era privilegiada. Mas , é aquele negócio, usar dos dons para fazer o bem... E ele o fez. Tinha um dom de persuasão fenomenal. Comecei a ler um livro, até não religioso, sobre a vida de Paulo, escrito por um ateu. Cara, não precisa ser religioso para perceber que Paulo, ex-Saulo, era um desses diferentes. O cristianismo sai dos limites de Jerusalém e vai até o centro do mundo conhecido, e chega até nós. Coisa de Deus, por Paulo e seus companheiros. Cessadas as palavras, fico com um dos melhores momentos de Paulo, ao perceber que o fim chegara :


"Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima.7.Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé.8.Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição." II Tm 4, 6-8

Já pensaram o Paulinho aqui , chegando o ocaso da sua vida , poder repetir as palavras do Paulão ?

Fica aí um vídeo para ilustrar.



João Gilberto se explica ?

Taí o melhor trabalho que tenta melhor explicar João Gilberto. Como diz Nelsinho Motta ,  a música de João é daquelas de detestar ou de gostar compulsivamente.

Muitos me chamam de estranho por gostar tanto de João Gilberto. E eu acharia estranho se não gostasse. Paradoxo ? Uma palavra boa para silenciarmos e só percebermos a leveza e doçura do Mito.

Vai principalmente para quem elegeu a música como arte preferida.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pronto para mudar o padrão ?

Se eu não mudar, nada muda. Um aforismo daqueles!!! O pessoal tem falado mal deste tipo de colocação mas ele serve para pensar. Este em especial :

Há uma tendência que qualquer mudança aconteça a partir do outro. Uma posição cômoda, mas perigosa. Mudança mais profundas não começa no ex e sim no intra. Esperar a mudança do outro? E se ele não quiser? Até quando vou colocar ,talvez ,minha felicidade na postura do outro?

É lindo pensar que até Deus não faz nada "por" nós. Ele só faz o que não podemos fazer. O que nos compete não esperemos que Ele faça. É a vontade dEle : é um Deus "Conosco", que conta com a minha participação.

Aí vem a questão da vontade. A boa vontade ou a força de vontade. Uma não exclui a outra. A boa vontade está sempre ligada ao bem, ao fazer o bem. Boa vontade sempre é coisa de Deus. Tem tudo a ver com aquela participação que falamos atrás. A força de vontade é mais perigosa. Pode ser usada como desculpa para a imposição. Se usada para a boa mudança , dê força para ela, se não ...

Exercitar a vontade provoca mudanças. Imagine que se pratique um vício durante , o quê, 30 anos. Está ou não está caracterizado um procedimento padronizado? Mudar isto é fácil ? Fácil não é , impossível sim, se não quisermos. Acostumamos, acreditamos que aquele procedimento era o correto só porque o praticamos durante muito tempo_ mesmo se nos causasse prejuízos. Mudar padrões é questão de nadar contra a corrente, exercitar, sem medo, com ajuda. Ah, Paulinho, ajuda de quem? Por experiência pessoal : Deus, minha boa vontade e um amigo (que pode ser um profissional da alma: religioso, psicólogo, um bom livro ...). Trabalhar sozinhos nestes assuntos não costuma ser uma atitude sensata. Beira a "força de vontade" do mal.

Falei demais. Tô aprendendo que querer mudar o outro é uma tarefa que beira a insanidade. Então que a mudança comece comigo. E que seja, quem sabe, contagiante.

Imagem retirada de sofrases.com

sábado, 16 de junho de 2012

Mauá, Empresário do Império (Jorge Caldeira)

E, terminamos a leitura de mais um livro. Desculpem, não é "mais um livro". Jorge Caldeira consegue dar uma empolgante aula (no sentido lúdico da palavra) de história do Brasil baseada na figura de um personagem especial para esta mesma história. Nos livros didáticos, a figura do Barão de Mauá era colocada de forma demasiadamente sintética. Ele era apenas o homem que construiu a primeira estrada de ferro do Brasil. Ah, esses livros didáticos...

Quando em vez, a TV Minas estava passando o filme Mauá, O Imperador e o Rei . Assisti-lhe e me interessei pela figura do Barão. A atuação de Paulo Betti também me aguçou o interesse. Nestas minhas peregrinações pelo Sebo do João , ali na Bernardino Macieira (Rua do Fogo), acima do antigo Bar do Alaor, encontrei este livro a preço que só o João consegue promover. Comprei-o. Não me arrependi.

 A história de Mauá corre por todo o Império, criação e ocaso. A figura de Pedro II tinha minha admiração, um pouco infantilizada. Havia lido sobre o compositor Carlos Gomes, que também viveu sob a era do Segundo Império. A vida do Barão, depois Visconde, descrita neste livro , faz entender algumas coisas sobre o nebuloso mundo político de um país em lenta construção, em que a lei era fachada para alimentar egos e fomentar antipatias particulares. Compreendi que os visionários , os que enxergam à frente de seu tempo, não são só incompreendidos mas, também ,veementemente combatidos. Caro leitor, se suas ideias forem aquém do senso comum, espere perseguições baseadas na inveja e nos ciúmes.

Se naquele tempo houvesse um Nobel de Economia, o Brasil teria seu primeiro prêmio. Mauá era tido como um dos homens mais influentes para a economia mundial, principalmente pelos ingleses, monopolizadores da economia da época. Aliás , eu , que pouco entendo de Economia e só agora precisei estudar um pouco sobre Administração, passei a compreender que os bons administradores enxergam mais que lucros : visam o desenvolvimento econômico e social de um país a partir da relação de respeito com o trabalho e seus trabalhadores.

 É um livro para quem quer aprender sobre histórias de superação, de conspiração, de aventura, de visão de mundo, de relações sociais e políticas , de amizade e perseguição, e, outras histórias de vida.
.
 Realmente, o filão das biografias é muito interessante. Já passei por Paulo Coelho, Carlos Gomes, Assis Chateubriand e finalmente com Mauá. Uma vida, uma boa história, um bom escritor, uma boa leitura, um lazer. Prazer.

Agora é rever o filme e fazer uma releitura.

 Recomendo.

sábado, 9 de junho de 2012

Simplesmente Perfeito (Estado de Minas de hoje)

Agorinha me deparei com um artigo do Estado de Minas de hoje. É que estão lançando um livro "diferente" sobre a obra de João Gilberto.

O modo de ser ,e cantar,  e tocar, do João é mais que um estilo musical. Pode ser encarado como um estilo de vida. O ser contido , onde o menos é mais, faz com que a tamanha simplicidade beire a perfeição.

Realmente, a música de João Gilberto é uma música de câmara. É para quem curte música. É para quem gosta de escutar boa música. Em silêncio... inclusive na alma.

Os bons da MPB tem João como o guru. Os brasileiros pouco o conhecem. Os jazzistas e analistas estrangeiros o consideram gênio.

João Gilberto é o cara aos 81 anos de idade e 60 de carreira.

Pena que os livros no Brasil são caros. (Os incentivos deveriam sair um pouco dos carros e ir para a alimentação _ cultural e propriamente dita_ e para os remédios. A gente tá cheio de carros nas ruas . A gente tem fome !!!). Mas é um livro que vale a pena como valeu o Chega de Saudade de Ruy Castro.

Agora silêncio, que o João vai cantar.









João Gilberto
Organização de Walter Garcia
Editora Cosac Naify, 512 páginas, R$ 215

Como obra de referência, João Gilberto traz ainda cronologia da vida e obra do cantor, discografia e bibliografia selecionada.

Isto é João Gilberto
Trechos do livro


“Aproximar-se dele é uma proeza, mesmo para seus íntimos. Capaz de entreter seus interlocutores durante horas ao telefone, de provocar admirações excessivas com suas canções sussurradas e conversas fascinantes sob a proteção do telefone, o intérprete mais procurado do Brasil ama os outros de longe e os detesta de perto, pela complacência deles diante da imperfeição, pela indiferença que demonstram diante do valor infinito do trabalho. Com João Gilberto, o exercício da entrevista, repleto de armadilhas, tem a ver com a história do gato escaldado. Cada pergunta atrai o seu duplo invertido.”
Entrevista de Véronique Moertaigne, Le Monde, 25/5/91

“Apenas a voz e o violão de João Gilberto já são a quintessência de sua própria orquestra. Para mim ele está no nível mais alto da música de câmara clássica, mas com uma paixão muito mais vívida. Acho que a música e a comunicação fluem acima do nível do significado direto das palavras, e é por isso que, nas canções do João Gilberto, o impacto das palavras acaba um pouco eclipsado pela beleza da música que sustenta a letra. E, de fato, no caso desse artista, o som da língua portuguesa jamais poderia ser substituído por outra língua.”
Chick Corea, pianista e compositor

“Ha algum tempo escrevi que talvez João Gilberto fosse o cara mais cool sobre a face da Terra. Pois eu continuo pensando do mesmo jeito, e acho que ele é um cantor de um talento incomparável. Ou melhor, se fosse compará-lo com outro cantor americano, acho que o único que estaria à altura de João Gilberto seria Frank Sinatra. Mas, ainda assim, acho que João Gilberto é maior porque todo o estilo musical, a bossa nova, foi criado em torno dele.”
Jon Pareles, crítico de música do The New York Times

“João Gilberto e Guimarães Rosa compartilharam o mesmo tempo da obra. Ambos expuseram as principais diretrizes de seus projetos de linguagem – além de apresentarem o essencial de sua produção – em consonância com um mesmo mundo intelectual e político. Diante desse mundo, construíram projetos de linguagem que, num sentido muito preciso, ainda hoje funcionam como uma forma de ação – um ato de fala – que cada um deles produziu para reagir a fatos presentes ou criar futuros.”
Helóisa Maria Murgel Starling, professora da UFMG

“O violão brasileiro não se prestava a esse tipo de coisa como o João faz hoje. Ele tinha somente duas funções: ou era solo, com aquele repertório tradicional, ou então fazia parte da formação dos conjuntos regionais. Cavaquinho no agudo, o bandolim, o violão de sete cordas, pandeiro. Sabe o que o João fez? Subtraiu na formação do regional. Retirou os agudos do cavaquinho e do bandolim. Retirou o pandeiro. E retirou o violão de sete cordas. Com todas essas subtrações ele teve que redimensionar o violão inteiro, senão seria só prejuízo, perda.”
Aderbal Duarte, violonista e compositor

sábado, 2 de junho de 2012

Cinquentões , Setentões e a Boa Música Brasileira

Hoje me permitam fazer diferente . Vejam o vídeo, depois a gente conversa , ok ?





Pois é, o tempo passa. Falava disto na postagem anterior. Há 30 anos o Brasil experimentou uma música diferente. O Rock Brasil dos Anos 80 foi ... hum, diferente !!!

Antes de entrar no mérito, queria falar do Nelson Motta. Penso que quem gosta de música popular brasileira pós bossa-nova não pode deixar de ler o seu livro Noites Tropicais. Nelsinho , além de ótimo escritor, viveu de perto, melhor, participou daquilo que escreve. Tem nohow.

Voltemos aos Anos 80. Há algum tempo tenho me contido ao falar da música destes anos. Cheira saudosismo e ... sei lá, fica uma coisa meio narcisista. O fato é que, quando se fala de Rock Brasil daqueles anos, vê-se um brilho nos olhos do pessoal da casa dos 35 em diante.

Aqueles que não viveram , mas percebem a euforia dos balzaquianos, se interessam. Dias atrás um cunhado, cujo pai tá na casa dos 40, tentou justificar a luz dos Anos 80: segundo ele poderia haver uma conjunção astral muito especial que fez desta época , uma época transcendente. Pode ser.

Música brasileira. Gosto que me enrosco. Este ano é daqueles bons , comemorativos. Estão fazendo 70 anos, (com jeito de 20) : Gilberto Gil, Caetano Veloso , Milton Nascimento e Paulinho da Viola. Notem que , nos anos 80, estavam também mandando bala.

E hoje, Paulinho ? Olhe, amigo, tem acontecido muita coisa boa. Tem que se garimpar. A fartura de talentos ficou para trás. Desculpe a franqueza que beira o pessimismo.

Obrigado pela visita !!!

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